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Sobre Allia

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Falar sobre o reino de Allia é fácil para mim, afinal esse foi o primeiro lugar criado por mim para o mundo de 7 Anciões. Poderia-se dizer que essa localização mudou pouco e muito ao mesmo tempo. Pouco em matéria de território; o formato permanece o mesmo  com apenas algumas adições, enquanto que muito por causa da própria configuração interna do local e da população em si.

Se antes ele foi concebido para ser um local com clima mais temperado, hoje é de um clima próximo ao mediterrâneo e com uma população morena, amante do mar e uma das maiores potências marítimas.

Um longo caminho foi percorrido aqui e acredito que hoje, o lugar está pronto para se apresentado.

Aqui lhes apresento a história da fundação do reino, o qual afinal, não é tão antigo assim em matéria de país unificado.


Sobre Allia

“Quisera eu ter habilidades de cantor para melhor contar a história desse lugar tão aprazível e de um povo duro e forte ao seu jeito. Quisera eu poder florear as minhas palavras, mas ai de mim! Sou apenas um historiador desejoso de catalogar a história de todo esse mundo, dádiva divina e assim, deixar um legado para aqueles que me precederem.”

“O que os cantores e poetas fazem com exageros e mentiras, eu o faço atento aos fatos. E são apenas eles que me interessam. Sendo assim, me concentrarei ao fatos que fizeram Allia surgir e se tornar o que é.”

Assim está assinado pelo seu digníssimo historiador e viajante Políbius Michelakos

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Alia Nurgül bint Almerico de Torre Velha foi uma nobre de ascendência Ashioka e do reino Evorenho, tornando-se a primeira rainha de Allia, nome dado em sua homenagem.

Atualmente ela é tida como uma personagem controversa, sendo ora louvada por alguns, ora tida como traidora. Entretanto, ninguém pode negar a sua bravura e determinação junto de seu amado, príncipe Beal. 

Tudo está narrado na famosa Balada da Reconquista, com alguma poesia a mais é claro. Eu prefiro uma versão mais resumida e ligada aos fatos históricos. Conto aqui, de forma simples, a história da fundação de Allia e de seus primeiros soberanos: Alia e Beal.

A história do reino de Allia como um país unificado é relativamente nova. À época do Grande Despertar, um grande ramo do povo astorio veio habitar o local, aprazível por suas planícies selvagens e verdes mares. Vários assentamentos foram erguidos e mais tarde se tornaram pequenas vilas. Foi então quando um ramo do povo moresio também chegou ao local. Ao longo dos anos os dois povos iriam se misturar e formar a etnia dos Astorios

Após a queda do mítico império Muria, muitos povos descendentes dos múrios migraram para o oeste na chamada Grande Diáspora e se juntaram aos outros povos já estabelecidos no local. Com o conhecimento destes, muito se aprendeu e as cidades rapidamente se desenvolveram.

Décadas mais tarde, o então império Ashioka em suas campanhas de expansão acabou por invadir e dominar o sul de Lemari, mantendo o seu poderio por diversos anos.

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Influência do império Ashioka. Cerca de 1120

Nessa época, o local era dividido em cinco pequenos reinos: Évora, Basquen, Algarias, Porto Galo e Ponta Oeste. Destes cinco, Porto Galo, Basquen e Ponta Oeste eram quase independentes, mas ainda assim acabavam por ter que se submeter ao domínio do então império Ashioka. Por causa das intrigas e jogos de poder inerentes aos grandes senhores e senhoras, poucas vezes os cinco fizeram frente comum para clamar a sua independência e unificar o reino.

Os anos foram passando e em algumas correntes de intelectuais o sentimento de unidade e independência foi crescendo com o apoio inclusive de vários membros do clero da Fé dos Anciões, pois o povo ashioka tinha a fé diferente naquele que eles chamam de “o Grande Um”, o deus único.

Nesse ínterim, havia um jovem príncipe de Porto Galo de nome Beal Galírio de Castelo Branco, o qual fortemente influenciado pelas correntes separatistas, decidiu trabalhar em prol desse ideal para sublevar os reinos e trazer a unificação ao país.

Seu carisma e liderança eram notáveis, mas tanto o fez, que acabou sendo traído e descoberto quando por ocasião, ele corria pelo país e se encontrava com simpatizantes em reuniões secretas próximo a pequena cidade de Torre Velha. Vários de seus camaradas foram enforcados por alta traição, mas ele, por ter ascendência nobre, foi mantido em cativeiro, até que o pagamento de um resgate foi arranjado e ele pôde ser libertado.

 

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O Jovem Beal

Enquanto seus amigos foram mantidos nas prisões subterrâneas da guarda de Torre Velha, Beal fora mantido em um quarto no castelo do senhor local, Almerico, em uma torre anexa; a mesma que dera o nome à cidade.

Acontece que Almerico tinha uma filha de nome, Alia; uma garota de vastos e ondulados cabelos negros e intrigantes olhos amarelados. Essa jovem era querida pelos servos do castelo, mas também temida pela sua impetuosidade. É dito que o povo astori é conhecido por sua ardente paixão em seus gestos e que queima neles um certo fogo. Contam os cronistas da época que em Alia esse fogo era um verdadeiro incêndio e que ameaçava queimar quem quer se aproximasse dele.

De início, os dois jovens mantiveram contato sem poderem se ver, mas, Alia também se influenciou pelas ideias de Beal e descobriu ali a fonte de um desejo que há muito guardava para si: o de se tornar senhora de si mesma e comandar. Após um tempo, ela passou secretamente a escalar a torre para poder conversar com Beal. Ele conseguia com suas palavras apaziguar um pouco do fogo que queimava a jovem, enquanto que ela lhe servia de companhia e consolo frente a tristeza de estar preso e de ter que suportar a morte dos seus companheiros. Logo Alia se apaixonou por ele e o sentimento foi recíproco. Quando soube que ia ser libertado Beal lhe disse:

– Minha querida Alia, o sonho não acabou. Prometo que voltarei a te chamar e juntos vamos construir um novo país.

Ela respondeu usando a sua famosa frase e que hoje figura em sua lápide no Descanso Real de Faras:

– Estarei te esperando, meu querido. Atiraste a tua flecha e deixei que me atingisse diretamente. Se outra vez me chamas, contigo irei.

Beal pôde retornar, não sem antes ter que prometer que jamais conspiraria novamente, o que ele realmente fez por algum tempo para relaxar as desconfianças em si. Apesar dos pesares, a sua prisão trouxera mais simpatizantes à causa e agora vários focos de revolta estavam acontecendo. Ao mesmo tempo, ele se correspondia com sua Alia. Em sua última carta, assustado pela repressão Ashioka, ele convidava a ela e a sua família a vir as suas terras.

Alia por sua vez, brigara com o pai, o qual havia descoberto as suas reuniões secretas com o antigo prisioneiro e, temeroso por sua filha, decidira casá-la com um nobre ashioka, o que também traria vantagens à Torre Velha. Quando ficou a par do arranjo, Alia se aconselhou com sua mãe, a qual lhe apoiava em suas ações e escreveu uma última carta a Beal.

 

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Alia em sua última manhã em Torre Velha

Assim que recebeu a missiva, Beal não pensou duas vezes; selou o seu cavalo e junto de dois servos da mais absoluta confiança, cavalgou até Torre Velha. Ao chegar, descobrira que já era tarde: o casamento fora consumado no dia anterior. Louco de desespero e ciúme, Beal perambulara sem rumo.

Quando chegou a um rio, Beal chorou ao ver o reflexo de sua imagem. Por causa disso, hoje esse rio é chamado de das Dores. Enxugando as lágrimas, ele decidiu tomar o caminho de casa e lutar em guerra aberta para ao menos morrer de forma útil em combate. Ao se virar topou com um soldado ashioka a lhe apontar uma lança.

O seu desespero tornou-se alegria e esperança quando descobriu que o soldado era ninguém menos que, Alia disfarçada. Então ela explicou que jamais se submeteria a um casamento arranjado. Beal havia recebido a mensagem errada; ela não havia se casado de fato ainda, pois o seu “noivo” queria desposá-la em sua própria terra. Alia não entrou muito em detalhes, mas contou que conseguira roubar a armadura de seu digníssimo noivo e escapara na calada da noite. Além disso, ela disse:

– Não percebes? Em tua última carta me chamaste, assim eu vim.

Beal nada disse, apenas a tomou em braços e a beijou efusivamente. Os dois servos que acompanhavam Beal ficaram espantados. Beal era alto, porém, Alia não ficava atrás sendo tão alta quanto ele e os juntos os dois realmente impressionavam aos olhares dos outros.  

Apesar da felicidade, Beal voltara a raciocinar com clareza e disse:

– Meus caros e minha amada. Esse gesto de Alia não passará despercebido. Haverá uma busca infrutífera. O nobre ashioka então irá reclamar e fazer barulho. Não podemos perder tempo.

– Sim – respondeu Alia – temo pelo minha família, mas, seria inútil voltar à Torre Velha. Não percamos tempo, a hora de agir é agora.

Eles cavalgaram depressa, forçando os cavalos ao limite. Ao retornar, foram recebidos com honrarias pelos insurrectos e aqui Beal e Alia se revelaram grandes comandantes e oradores. Juntos conseguiram atrair mais pessoas e muitos puderam perceber que ali estavam nascendo um Rei e uma Rainha.

Com as bênçãos dos sacerdotes eles se casaram oficialmente e, como um casal, juntaram as tropas e foram ao encontro dos exércitos ashiokas. Contam os cronistas da época que os ashiokas falavam com terror de uma al’dari, feroz e poderosa em combate e de fahara, tão mortífero quanto ela.
 

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Alia como aparecia em combate, trajando uma armadura ashioka

De fato, o único que conseguia conter a impetuosa Alia, era Beal. Em campo de batalha o seu fogo queimava a todos os que se aproximassem, metaforicamente falando, é claro. Em sua ânsia por unir o país, Alia acreditava que sempre se devia seguir em frente, não importassem os problemas ou as dores.

Ao cabo de alguns anos, eles conseguiram expulsar os ashiokas de boa parte do país. Conta-se que esse foi um dos episódios que culminou no declínio do império, pois influenciados pelas campanhas em Alliah, outros países vizinhos fizeram o mesmo. Incapaz de segurar tantas frentes e em meio a tantas derrotas, o império foi obrigado a fazer acordos e promessas.

A última batalha ocorreu justamente em frente a Torre Velha, quando Alia conseguiu libertar o seu pai e sua mãe, que haviam sido mantidos prisioneiros. Almerico sobreviveu apenas o suficiente para dizer que perdoava Alia e que tinha as bênçãos dele para ela fazer o que quer que quisesse fazer.

Essa foi uma das poucas vezes que Beal viu sua amada chorar. Ele nada disse, apenas contentou-se em abraçá-la e deixá-la gastar as suas lágrimas.

Ao regressar das lutas, ambos descobriram um novo combate: as querelas para decidir qual seria a capital do novo reino; principalmente Basquen e Porto Galo. Por ser uma fiel seguidora da Fé dos Anciões, Alia pediu a Beal que a capital fosse no antigo mosteiro e cidade de Colina de Lara. E assim foi: o antigo mosteiro foi modificado para se tornar um palácio e a cidade cresceu do alto da colina para baixo.

Essa escolha também teve conotações políticas. Beal e Alia se viram envolvidos em diversos jogos de intriga para assegurar favores e exigências. Ao escolher um lugar neutro, mas ainda assim próximo a Porto Galo e Basquen, eles demonstravam que estariam atentos a qualquer movimento destes. Conta-se que Alia muito influenciou Beal em suas decisões e que ela demonstrou enorme tato político. De uma forma ou de outra, é dito que ela conseguia dominar as pessoas com os seus brilhantes olhos amarelados.

 

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A cidade de Faras, no tempo atual de 1421

Beal e Alia foram coroados em 1217, e em homenagem a sua rainha, ele batizou o reino com o seu nome: Alliah, ao que ela respondeu: “É um rei que governa no alto da Colina de Lara. Assim, meu senhor e rei, é imperativo que a capital leve o seu nome”. Por ocasião dos combates com os Ashiokas, Beal era chamado de Fahara’s Bahel e para se lembrar o povo das lutas e para simbolizar o domínio, decidiram que a capital deveria levar o seu nome, abreviado para Faras.

Por vários anos eles conseguiram governar em paz. Foi nesse período que todo o reino teve um salto significativo nas ciências e artes e muito da cultura Ashioka permaneceu, mesclando-se à cultura Aliana.

Também foram incentivadas as campanhas navais, tornando Alliah um polo central do comércio marítimo ao sul do continente. Dizem que uma das características principais do povo Astorio é o seu amor pelo mar e essa paixão arde ainda mais forte no coração dos alianos, a começar pela própria rainha.

Após a morte do casal real, o reino ainda viveu um período de bem-aventurança por cem anos, quando começou o seu declínio. Várias questões sucessórias aconteceram e indícios de guerras civis, além de um terrível terremoto em 1375. Atualmente, no ano de 1421, o reino encontra-se em uma espécie de Renascimento cultural e expansão marítima sob o comando do rei navegante, Basra II.

 

 

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